
No início deste mês, no último dia 5, anunciou-se medida para evitar um aumento de 6% na tarifa de energia elétrica em várias regiões do Brasil, incluindo o Nordeste, visando cobrir um déficit de US$ 121 milhões nas operações da Usina de Itaipu Binacional (CNN Brasil, 2025), parceria entre Brasil e Paraguai. Para não repassar esse custo aos consumidores, fez-se uso da reserva técnica da usina, um fundo gerado pela comercialização de energia. A decisão foi bem recebida, já que o aumento teria um grande impacto nas finanças de milhões de brasileiros, especialmente em estados como Pernambuco, onde a energia consome uma parte significativa da renda familiar.
Pernambuco, com cerca de 9,6 milhões de habitantes (IBGE, 2023), apresenta um dos maiores crescimentos populacionais do Nordeste, o que aumenta a demanda por energia. O estado tem grande potencial energético, com destaque para a geração de energia eólica, solar e hidráulica, mas enfrenta desafios relacionados ao seu custo. A capacidade de consumo da população pernambucana cresce junto com o adensamento urbano, especialmente em Recife, que concentra mais de 1,6 milhão de pessoas. Ainda segundo o IBGE (2023), a renda per capita do estado é 37% inferior à média nacional, o que torna a energia um custo elevado, especialmente para famílias de baixa renda.
A medida impediu que o aumento das tarifas impactasse diretamente essas famílias, garantindo previsibilidade no planejamento financeiro. Em Pernambuco, estado onde 28% da população vive em situação de vulnerabilidade social, um aumento nas tarifas teria pressionado ainda mais os orçamentos domésticos e custos empresariais. A utilização da reserva técnica da Usina de Itaipu assegura que os consumidores não sejam surpreendidos por novos aumentos, oferecendo um alívio econômico, especialmente para os setores sociais mais vulneráveis (ANEEL, 2025).
Embora a medida tenha sido positiva, alerta-se que é essencial, tanto à população quanto às entidades de representações sociais, monitorarem o setor elétrico e suas movimentações, já que os custos podem ser afetados por fatores internos e externos, como inflação e o câmbio. Mesmo com o alívio temporário, já que se tratou de uma intervenção isolada, a estabilidade das tarifas dependerá da gestão eficiente dos recursos energéticos e do acompanhamento contínuo realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica. Para as famílias de Pernambuco, essa intervenção mostra-se importante no propósito de proteger o poder de compra e evitar que a conta de luz se torne um peso maior no orçamento familiar.