Novo exame de sangue detecta Alzheimer e mede extensão da demência

Um novo exame de sangue desenvolvido por cientistas das universidades de Washington (EUA) e Lund (Suécia) promete revolucionar o diagnóstico do Alzheimer ao detectar a doença com 92% de precisão e identificar seu estágio de progressão. A descoberta foi publicada ontem (31) na revista Nature Medicine e representa um avanço importante em relação aos exames atuais, que são caros, demorados e pouco acessíveis. A inovação se baseia na análise da proteína MTBR-tau243, cujos níveis no sangue refletem o acúmulo de emaranhados de tau no cérebro, um dos principais marcadores da doença.

O estudo analisou amostras de sangue de 163 voluntários e demonstrou que pacientes com Alzheimer apresentaram concentrações até 200 vezes maiores da proteína em comparação a pessoas saudáveis. Além de identificar a presença da doença, o exame permite diferenciar o Alzheimer de outras formas de demência, como as causadas por doenças vasculares ou degeneração frontotemporal. Segundo os pesquisadores, essa precisão pode auxiliar os médicos a definirem terapias mais eficazes, especialmente nos estágios iniciais, quando o tratamento tende a ter melhores resultados.

Com a aprovação recente de medicamentos para retardar o avanço do Alzheimer, a possibilidade de realizar diagnósticos precisos por meio de um exame de sangue abre caminho para a chamada medicina personalizada. O neurologista Kanta Horie, um dos autores do estudo, afirma que a nova ferramenta permitirá ajustar o tratamento à fase da doença, aumentando sua eficácia. A tecnologia foi licenciada para a empresa C2N Diagnostics, que já atua na comercialização de outros testes sanguíneos voltados à detecção de placas amiloides.

Foto: Reprodução

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