Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo

Hoje, dia 2 de abril, celebra-se o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, data estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU). Nos últimos anos, o número de diagnósticos do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) tem aumentado de forma expressiva. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, atualmente, uma em cada 36 crianças é diagnosticada com autismo, enquanto nos anos 2000, a taxa era de um caso a cada 150 crianças. Por se tratar de uma condição permanente, o TEA continua a fazer parte da identidade da pessoa ao longo de toda a vida.

“O autismo é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por desafios na comunicação verbal e não verbal, habilidades sociais e comportamentais, não é uma doença. O transtorno é tão abrangente e complexo que utilizamos o termo ‘espectro’ devido às suas manifestações não se darem de maneira uniforme e aos seus níveis de suporte, caracterizados de acordo com a intensidade dos sinais”, explica a psicóloga especialista em autismo Frínea Andrade, diretora do Instituto Dimitri Andrade.

Por que os números aumentaram?

A psicóloga, que também é mãe atípica, destaca que esse aumento nos diagnósticos pode estar relacionado a uma série de fatores. “Há correntes que acreditam que o número de casos não aumentou, e sim a disseminação da informação. Outras defendem que a prevalência do transtorno de fato cresceu. Entre as explicações mais aceitas para esse fenômeno estão o maior acesso à informação e a busca ativa pelo diagnóstico por parte dos pais e mães, mudanças nos critérios de diagnóstico, o melhor preparo das escolas e dos médicos para identificar os sinais do TEA e encaminhar para profissionais capacitados para fechar o diagnóstico correto e fatores ambientais ligados à genética, como a idade mais avançada dos pais, o uso de alguns medicamentos e o estresse gestacional”, explica.

Quais os sinais do autismo?

Os principais sinais são observados logo na infância, entre 1 e 2 anos. Entre os mais comuns estão o atraso de linguagem, a falsa surdez (não olhar ao ser chamado pelo nome), dificuldade de interação social, comportamentos repetitivos e estereotipados. A psicóloga destaca que ao observar esses sinais é importante buscar avaliação para investigar. “O diagnóstico pode ser fechado por um médico neurologista ou psiquiatra da infância. A partir do laudo, é importante iniciar as terapias multidisciplinares e também buscar apoio psicológico para a família, como o treino parental, que ensina os pais e/ou cuidadores a lidar com a pessoa com TEA. Uma rede de apoio é fundamental. Quanto mais cedo iniciar a intervenção, maiores serão as possibilidades de evolução da criança”, destaca.

Autismo pode ser causado por excesso de telas?

Mito! A especialista explica que o autismo tem origem multifatorial, mas não é causado pelo uso de telas. “O excesso de tempo em frente à telas pode gerar sintomas que se confundem com o TEA, como dificuldades de socialização e padrões repetitivos de comportamento, mas não causa autismo. Para aquelas crianças que têm autismo ou algum outro transtorno do neurodesenvolvimento, o impacto do excesso de telas pode ser ainda maior. Quando há uma redução no tempo de exposição às telas em crianças típicas, por exemplo, elas costumam retomar um desenvolvimento típico para a idade”, esclarece Frínea Andrade.

Autismo na vida adulta

Muitas pessoas têm recebido o diagnóstico de autismo apenas na vida adulta, embora a condição esteja presente desde o nascimento. A psicóloga Frínea Andrade explica: “É comum que autistas de nível 1 de suporte sejam diagnosticados tardiamente, pois conseguem camuflar dificuldades e se adaptar ao ambiente escolar, universitário e profissional, mesmo enfrentando grandes desafios. Muitas vezes, essas pessoas já chegam ao consultório com transtornos como ansiedade e depressão, resultado da pressão constante ao longo da vida”, destaca. “O diagnóstico, ainda que tardio, junto à terapia, desempenha um papel fundamental no autoconhecimento e no desenvolvimento da autonomia”, enfatiza a especialista.

Caminhada pela Inclusão da Pessoa Autista

O Instituto Dimitri Andrade realiza, hoje, a Caminhada pela Inclusão da Pessoa Autista, em alusão ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo. O evento acontece a partir das 14h, com concentração na unidade do instituto em Palmares, localizada na Rua Dom Expedito Lopes, 211, bairro Modelo, e segue até a Praça Paulo Paranhos. A programação contará com apresentação musical da banda Fulô de Araçá, da APAE de Palmares, além de uma apresentação teatral do grupo Heróis de Pernambuco. Também haverá uma palestra sobre autismo, ministrada pela psicóloga Frínea Andrade.

Foto: Divulgação

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