
O Parlamento de Portugal rejeitou, ontem (11), a moção de confiança apresentada pelo primeiro-ministro Luis Montenegro, levando à dissolução do governo e à convocação de novas eleições gerais. O resultado coloca o país diante de seu terceiro pleito antecipado em pouco mais de três anos, com previsão de realização em maio, segundo o presidente Marcelo Rebelo de Sousa. A crise política foi desencadeada após denúncias de possíveis conflitos de interesse envolvendo a Spinumviva, empresa de consultoria ligada à família de Montenegro.
A moção foi apresentada na tentativa de evitar um inquérito parlamentar sobre os contratos da Spinumviva com empresas privadas, como cassinos e hotéis. A oposição alega que tais contratos beneficiaram o primeiro-ministro, apesar de ele ter transferido a empresa para sua esposa e filhos em 2022. A justificativa de Montenegro não convenceu os adversários, que já haviam indicado que rejeitariam a moção. Sem o apoio do Parlamento, o governo assume agora um caráter interino até a realização das novas eleições.
Antes da votação, Montenegro chegou a propor um inquérito parlamentar com prazo de até dois meses para esclarecer as acusações, mas alegou que os socialistas da oposição se recusaram a negociar um limite de tempo, tornando a derrota inevitável. Analistas apontam que sua manobra pode ter sido um blefe político ou uma estratégia para antecipar as eleições enquanto sua popularidade ainda estava relativamente estável.